Representação de um adinkra africano (fonte: Google Imagens)

O amar é romantizado

O amar é aprisionante

O amar é apaixonante

O amar é idealizado

.

Nesse impossível do amar

Vamos nos perdendo no mar

E quando chega a maré

Damos a ré

Nos afundamos

Nos afastamos

.

O que será possível no amar?

É preciso encontrar

Um nós, um nó

Que não ate, mas desate

E permita trasbordar

Sem afogar

Para novas costuras

Para novas posturas

.

É decolonizar os devires

Para despertar os sentires

Para recordar as memórias

Para reflorestar as histórias

.

Não existe amar possível nesse sistema

Por isso, é preciso reposicionar a antena

Só assim o alcançaremos

E não morremos

.

.

.

Ipiabas, 30 de novembro de 2022

--

--

Foto registrada na exposição Crônicas da Cidade — Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (autoria desconhecida por mim)

Amar é viver

Amar é confluir

Amar é querer

Amar é construir

.

Como o amor se tornou ruínas?

Talvez no momento em que asfixiamos

Talvez no momento em que aprisionamos

Talvez no momento em que individualizamos

Talvez no momento em que matamos

.

O amor romântico é inalcançável

Mas continuamos nessa busca insana

Que cada vez mais se torna irresponsável

Como essa ausência de responsabilidade afetiva se emana

Em cada desencontro que produz dor

Em cada descaminho que gera rancor

.

Nesse sofrimento vamos seguindo sob as ruínas

Não nos permitindo cultivar relações genuínas

Colocando nossos afetos em vasos

Só permitindo crescer raízes em espaços rasos

.

Amar é transbordar

Amar é acolher

Amar é aconchegar

Amar é reconhecer

.

.

.

Ipiabas, 07 de abril de 2022

--

--