Foto: Acervo Pessoal/ Cerveja Three Rocks produzida em Ipiabas

A primeira sexta-feira de agosto é marcada pelo dia internacional da cerveja, desde sua origem no ano de 2007 em Santa Cruz na Califórnia. Uma data que nos alcançou diante de uma população que ingere uma grande quantidade de bebida alcoólica, cerca de 46 milhões da população brasileira entre 12 e 65 anos consumiram alguma dose nos últimos 30 dias. Esse é um dos dados do robusto e polêmico (sofreu ataques de cesura pelo desgoverno atual) estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2019, III Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira, no qual fica evidente a falácia da guerra às drogas ilícitas, como maconha e cocaína, as quais seriam as mais consumidas. Bom, isso é uma mentira. As bebidas alcoólicas transbordam em nosso meio.

Existe uma naturalização da indústria da cerveja, a qual apresenta uma alta lucratividade em nossa sociedade de consumo, dessa forma, em qualquer tipo de comemoração é central uma cerveja. Assim, não posso me silenciar enquanto um educando em saúde sobre sua banalização quanto aos danos que pode causar. Essa maior passabilidade social da cerveja precisa ser discutida. Suas consequências para saúde pública deveriam ser centrais, assim como os refrigerantes hiper açucarados produtores de diabetes e obesidade.

Agora quero explicitar minha relação com essa dúbia bebida. Sou um amante no consumo dessa bebida. E recentemente estou aprendendo a degustar mais, do que apenas alcançar uma embriaguez. Ao lado de minha mãe nessa quarentena estamos bebendo semanalmente algumas latinhas, latões e megalatões. Começamos na sexta e terminamos no domingo. É difícil tencionarmos para outros dias, pois não sobra nada. Somos consumidores intensos, conscientes e com espírito amoroso da cerveja coletiva que nos une.

A cerveja é uma bebida que possui um sabor único (confesso que não sou um apreciador de outras bebidas), das mais amargas as mais doces, das mais caras as mais baratas, das industriais as artesanais. São ditas como potências criativas de muitos sambistas cariocas. E também para pessoas como nós. Um dia quero conseguir beber uma cerveja e enxergar com os olhos poéticos de Vinícius de Morais. Será que conseguirei? Enquanto isso irei bebendo com minha mãe e amigues. É sempre bom tomar várias cervejas juntes.

Ipiabas, 09 de agosto de 2020

Sou uma pessoa dengosa, acolhedora, negra, gay, vegetariana, educando em saúde (fisioterapia, UFRJ), escritora (https://www.minhaspalavrasescritas.com/).