Imagem de Canção Nova

Sou escravo do celular.

Preso em suas teias de ansiedade

Tento retirá-lo de minha vida, mas falho.

E continuo falhando em cada amanhecer,

E isso me devora, me mata.

As luzes do celular me impedem de ver.

Sinto um sofrimento ao não conseguir olhar para o mundo,

Além da tela do celular, descobrir outros horizontes.

Ouvir os pássaros cantarem.

.

Desejo e imagino ser independente, ser livre

Não precisar ser imprescindível, ser onipresente.

Viver sem notificações, ligações.

Quero poder sumir de verdade, me silenciar.

Um dia o canto da liberdade raiará, na abolição da humanidade.

.

Ipiabas, 20 de setembro de 2020

Habito em um corpo negro afro-diaspórico que escuta e escreve as pulsões da vida cotidiana no mundo colonial, aqui e agora.

Habito em um corpo negro afro-diaspórico que escuta e escreve as pulsões da vida cotidiana no mundo colonial, aqui e agora.