Eleições no Brasil: outras possibilidades de votos

Foto: “Sementes: pretas no poder”/Divulgação

Neste dia 15 de novembro de 2020, estamos vivendo uma das eleições em que alcançamos intenso ecoar das sementes de Marielle Franco. As candidaturas são negras, femininas, LGBTQ+, quilombolas. Um romper da estrutura hegemônica colonial de candidatos brancos, masculinos e héteros. Isso representa um desabrochar para outras possibilidades de ocupação na política institucional. Já somos diversos nas urnas eleitorais, na busca de espaço nas câmaras municipais.

Essa multiplicidade de corpos transgressores, inspirados em Marielle Franco, estão gritando um basta aos processos de marginalização no pleito eleitoral, como nos envolve Eliane Brum, escritora e jornalista do El País, no seu texto mais recente:

Marielle Franco é, iconicamente, mais viva do que nunca e a maior antagonista do atual presidente. E por essa razão, a memória de Marielle resiste e produz Marielles. Nesta eleição, em número inédito: em São Paulo, as candidatas negras são quase o dobro da disputa anterior. Segundo levantamento da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), há pelo menos 300 quilombolas disputando uma vaga no legislativo em todo o país. Entre eles, a ativista Socorro de Burajuba, líder da luta contra a destruição socioambiental produzida pela mineradora norueguesa Hydro Alunorte, poluidora dos rios da região de Barcarena, na Amazônia paraense. Nunca se discutiu tanto a participação política de negros como hoje, mas mais do que negros, o que se fortalece em 2020 é a potência crescente das mulheres pretas.

Existe uma profunda mudança na centralidade das identidades na disputa das eleições brasileiras. É o semear de Marielle que desperta cada um de nós para uma posição, pois pode não haver amanhã para respirarmos na coletividade. É encantador essa movimentação significativa das várias possibilidades de escolhas ao me colocar diante da urna. Nossa luta é contínua, e não terminará nesta eleição, mas é um esperançar que pulsa em nossos interiores. Estamos ainda longe de uma verdadeira democracia, e um passo na tentativa de tê-la é questionando: Quem mandou matar Marielle Franco? E por quê? Marielle e Anderson Presentes!

Ipiabas, 15 de novembro de 2020

Habito em um corpo negro afro-diaspórico que escuta e escreve as pulsões da vida cotidiana no mundo colonial, aqui e agora.

Habito em um corpo negro afro-diaspórico que escuta e escreve as pulsões da vida cotidiana no mundo colonial, aqui e agora.